sexta-feira, 3 de outubro de 2008


Hoje eu vi três cenas que me fizeram pensar além do que via. A primeira foi quando vi um menininho tentando olhar o preço de um chicletes por uma máquina de código de barras. Eu estava passando por lá e ele não conseguiu passar o código de barras do chicletes e então disse: “Moça como eu faço pra ver quanto que é?”, e eu fiquei procurando as palavras para dizer à ele como ele poderia ver o preço do chicletes. E então eu disse “Ta vendo esses números do código de barras? Você coloca aqui e vai mostrar quanto é” e eu peguei o chicletes e passei pra ele.O produto não estava registrado no sistema e então ele disse novamente: “eu já tentei e não quer passar” e eu disse “Huuuum, não deve estar registado, pega outro e vê se o preço aparece”, aí ele saiu correndo com o pacote de chicletes. Eu fiquei pensando se ele teria entendido alguma coisa que eu falei, crianças são peças raras.
Logo depois, eu vi um outro menininho, correndo, indo atrás de um policial. Ele chegou até o policial, e falou: “Oi policial!”.E o policial disse: “Oi garotinho!”. Eu pensei que ele devia ter vontade de ser policial, e fiquei pensando como essas pessoas que na sua maioria fazem coisas erradas, são exemplo para as crianças do mundo, como deveriam agir de outra forma.
Logo depois fui comprar uma empada e ouvi um menino, com aparência de ser carente e de passar muitas dificuldades, sua mãe estava comprando empada, e ele com um pacote daqueles salgadinhos baratos na mão. Ele disse várias vezes “mãe, me dá um suco?”(daqueles de pózinho). Eu fiquei observando a cena, primeiro a mãe não o respondeu, continuou falando com a avó sobre o sabor da empada, e o menininho olhando atentamente para o suco. Lá eles vendem uma empada e um refresco por dois reais. A mãe comprou duas dessas promoções. E então ela disse “pára menino, eu não vou te dar nada”. E o menininho dizia “mãe, eu to com sede, me dá uma água, compra uma água pra mim”. À essa altura a minha vontade de dar meu suco para o garotinho era maior que eu. Fiquei pensando se podia perguntar à mãe do garoto se podia dar à ele o suco que queria. Fiquei com medo de perguntar e ouvir o que não queria, apenas por não poder agüentar a cena. Então a mãe dele disse “bebe um pouco do suco aí”. Ele tomou um gole e continuou pedindo sua mãe um suco ou água. E apontando para o local onde estavam as coisas de beber. Fui embora depois e contei a minha mãe sobre minha vontade de dar ao menininho o suco que ele tanto queria. E minha mãe me disse “essas coisas a gente guarda pra gente, a gente tem que ver e não falar nada. As pessoas podem levar como ofença”.
Eu tenho muita, muita sorte na vida. Desde que nasci nunca precisei ouvir um não de minha família, sobre coisas materiais que queria. Tudo que queria eu tinha, por mais que não fosse na hora, mas acabava ganhando o que pedia. Eu consigo enxergar hoje o valor que temos que ter com o que ganhamos, com o que podemos ter. Todos deveriam pensar, que é um privilégio poder ter as coisas, porque muita gente não possui essa vantagem.
Acho que estou voltando a ver o mundo com outros olhos.




Tá cheeio de erros aí =)

Um comentário:

Clarinha disse...

Não acho que seria uma ofensa vc oferecer o seu suco ao moleque... Afinal, você nã estaria tentando envenená-lo! Mas que bom que você pensou em fazer uma boa ação! O mundo precisa de atitude.